A Fogueira

   O vento soprava frio naquela noite, mas a fogueira ainda aquecia o corpo nú do homem em riste frente ao fogo. O varão andava de um lado ao outro, inquieto. “Irei criar maravilhas! Todos verão suas cores, seu brilho, sua magica, sua originalidade!”, esclamava ele. Inspirou, e soprou fortemente acima da fogueira. Seu cristalisou com o calor da fogueira, tomou forma e surgiu a mais formosa, bela e sensual Silfide. “Todos a verão! Ela é perfeita! Seus olhos, sua boca, seus seios, suas ancas, sua vagina! Ela será vista por todos, todos a desejarão, mas ela é somente minha!”. O homem pôs-se na direção da Silfide e fez amor com ela por dias antes dela desaparecer no ar e somente pequenas sementes etéreas sobraram. Instantes depois, havia criado um golem de aço a partir de algumas pedras, mas logo percebeu que era uma criatura imovel e tosca e a deixou de lado pois não fazia nada. 

   Assim se seguiu, o homem fazendo suas criaturas e interagindo com elas o quanto podia. Depois de muito errar, fez uma criatura a partir de sua própria merda e regozijou-se. “É perfeita! É bela, a sua própria forma. É ativa, e todos a verão!”, e o homem saiu carregando o monstro metade pérola, metade bosta em seu colo procurando mostrá-lo para todos que pudesse.

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   O que ele não percebeu, no entanto, é que não havia ninguém lá para ver quaisquer de suas criaturas.


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